Matérias Técnicas Aspaco Portal - Matérias Técnicas: Toxemia da PrenhezToxemia da Prenhez 28/07/2010

Fatores predisponentes e determinates:

 

A toxemia da prenhez é uma doença metabólica que acomete ovelhas no terço final da prenhez, em gestações com dois ou três fetos, determinada por nutrição inadequada durante o período gestacional, provocando hipoglicemia, acetonemia, acidose sistêmica e manifestada clinicamente por anorexia, depressão nervosa e prostração, levando, na maioria das vezes, os animais à morte.

Vários são os fatores predisponentes para a instalação de toxemia da prenhez. Relacionados com o aumento de consumo de glicose, temos as seguintes condições: a presença de múltiplos fetos, ovelhas gestantes com síndrome febre onde ocorre aumento do consumo de glicose pelo sistema nervoso central. Também são considerados fatores predisponentes as condições que interferem direta ou indiretamente com a menor produção de glicose pela fêmea, tais como: a insuficiência hepática, a deficiência de cobalto, que diminui a produção de ácido propiônico no rúmen; a falta de exercício, e estabulação permanente ou fatores que interferem negativamente no apetite do animal.

Basicamente, a toxemia da prenhez pode ser provocada por duas condições determinantes relacionadas com as condições nutricionais e orgânicas da gestante. O tipo I é caracterizado pelo estado de subalimentação durante o período gestacional, associado à presença de fetos múltiplos. Experimentalmente, este quadro pode ser provocado pela diminuição em cerca de 50% da energia dietética (450g de NDT) adequada a ser oferecida a pequenos ruminantes durante a gestação, quantidade esta suficiente para a mantença de fêmeas não prenhes. Ovelhas prenhes recebendo dietas ricas em alimentos com baixa qualidade ou digestibilidade (ex: palhadas, capins maduros, fenos de má qualidade, etc) por longos períodos, também podem apresentar o quadro. Várias doenças intercorrentes, tais como “foot-rot”, linfoadenite caseosa, ectima contagioso, pneumonia, perda de dentes e principalmente verminoses gastrintestinais que afetam a ingestão de alimentos ou a utilização destes, também podem desencadear o quadro. Merece destaque em nosso meio a ação intercorrente e nefasta da verminose causada pelo Haemonchus contortus, no decorrer da gestação, tão freqüente em nossas condições (ORTOLANI & BENESI, 1989).

O tipo II está relacionado à superalimentação,principalmente nos dois terços iniciais da gestação, quando muitas vezes os animais recebem alimentação “ad libitum” ou mal balanceada e ricas em grãos (milho, sorgo, arroz etc), farelos (trigo,milho, arroz etc) ou mesmo rações comerciais balanceadas mas em quantidades elevadas principalmente quando estas atingem valores superiores a 30% em NDT. Normalmente requeridos.

 

Terapia:

 

A terapia deve atender,teoricamente, três principais metas: 1° combater a hipoglicemia; 2° diminuir a drenagem de glicose e 3° diminuir a cetogênese.

A injeção intravenosa de soluções ricas em glicose não produzem resultados satisfatórios. Contudo, a administração pela via oral de soluções saturadas ricas em glicose apresentam eficácia superior à injeção intravenosa. ORTOLANI et al. (não publ.) estudaram os efeitos destas soluções e concluíram que elas induzem nos animais a formação da goteira reticular, o que facilita absorção efetiva de glicose pelo intestino delgado. Tal forma de tratamento mantém altos níveis de glicemia pó até seis horas em ovelhas prenhes.

A literatura clássica indica como medida para diminuir a drenagem de glicose pelas fêmeas a operação cesariana. Porém, na experiência do autor,em 10casos clínicos de toxemia da prenhez, em que se optou por esse tratamento,os resultados foram desastrados, pois ocorreu, em todos eles, a morte da gestante e dos fetos. A redução da cetogênese pode ser realizada através do tratamento com insulina e de certos tipos de esteróides, mas os resultados também são incertos.

 

Prevenção:

 

Esta medida surte bem melhores resultados que a terapia, devendo ser incrementada nos rebanhos. Uma das principais medidas é a suplementação alimentar,principalmente energética, das fêmeas gestantes no decorrer do período de prenhez, segundo as indicações preconizadas. Concomitante a estas medidas, deve-se combater as doenças intercorrentes, em especial as verminoses, realizando um programa especial para diminuir a contaminação de larvas infestantes nas pastagens. AS causas de estresse também devem ser diminuídas, principalmente no terço final de gestação. Para tanto, devem-se evitar: o transporte dos animais, aparar cascos, manipulações indevidas com o rebanho, mudanças bruscas de alimentação etc. Finalmente, estudos têm demonstrado que o exercício físico apropriado para fêmeas gestantes aumento a produção de glicose e diminui a geração de corpos cetônicos.

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